O que podemos dizer sobre o fenômeno ocorrido no Pentecostes em Jerusalém, conforme o capítulo 2 de Atos dos Apóstolos?As línguas faladas pelos discípulos no dia de Pentecostes não foram idiomáticas, mas sim espirituais.
Consideremos algumas linhas do que diz Israel Belo de Azevedo em seu Sermão à Igreja, exposto também na página da internet http://www.prazerdapalavra.com.br/, acessado em 17/08/2010.
“A primeira manifestação está narrada no versículo2: De repente veio do céu um som [ruído], como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. O som não era o ruído do vento, mas se parecia com ele, já que o vento é o símbolo perceptível do poder invisível de Deus, poder que não pode ser visto, mas é acompanhado de manifestações visíveis, poder que não pode ser explicado, mas pode ser aceito. O som não aquele que veio pelo vento, mas algo que se lhe assemelhava.
Lucas sublinha que o vento veio do céu. O autor quer destacar a procedência divina dos fatos. Jesus Cristo foi para o céu e prometeu que, de lá, mandaria o Seu Espírito. Era, pois, de lá que vinha o Espírito, chegando de uma maneira parecida como a de um sopro, um sopro divino. Todos ouviram aquele som, sem palavras. Quando o Espírito Santo repousa sobre nós, o mundo tem que ver, não a nós, mas a Ele.
A segunda manifestação espetacular Lucas a nota no versículo 3: E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como que de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Novamente, as línguas não eram de fogo, mas pareciam ser de fogo, tal sua intensidade, o seu movimento e a sua velocidade.
Se o som podia gerar algum tipo de compreensão diferente, as línguas como que de fogo vinham complementar. O som foi para se ouvir. As línguas de fogo eram para se ver. Talvez alguns discípulos tenham se lembrado do batismo de fogo, prenunciado por João Batista (Mateus 3:11). À audição, seguiu-se a visão, a visão do fogo. Os presentes viram o Espírito Santo chegar, como um fogo a purificar de todos os pecados.
Em terceiro lugar, todos ficaram cheios do Espírito Santo (verso 4a).
A partir daí eles não tiveram mais controle sobre si. Tudo que falavam – e isso só acontece quando estamos cheios do Espírito – exaltava as grandezas de Deus. Nós até podemos falar, de vem em quando, acerca destas maravilhas. No entanto, só conseguimos narrar essas grandezas e viver por elas quando estamos cheios do Espírito Santo.
Como resultado desta experiência – eis a quarta manifestação – todos começaram a falar em línguas (verso 4b).
Esta experiência tem dividido lamentavelmente os cristãos. O problema consiste essencialmente na compreensão do significado do fenômeno deste falar “em outras línguas”, a experiência da glossolalia.
Lucas é categórico ao dizer que, quando foram cheios do Espírito Santo, aqueles seguidores de Jesus ali reunidos começaram a falar em línguas que não eram seus idiomas maternos (aramaico, grego ou latim, as línguas faladas na Palestina de então), de modo que, sem que houvesse tradução simultânea, os “visitantes” ouviram acerca das “grandezas de Deus” em suas próprias línguas.”
Nota: Além dos que falaram línguas terem se edificado espiritualmente Deus permitiu que os ouvintes, naquele caso, entendessem em sua própria língua “as grandezas de Deus.” Para os ouvintes, não foram as línguas faladas pelos 120 o ponto alto da questão, mas terem falado “as grandezas de Deus”, coisa jamais vista nos pentecostes nos anos anteriores. Tanto foi assim que ao mesmo tempo em que, por permissão de Deus naquele caso exclusivo de línguas no Pentecostes, os que se haviam de converter em seguida na pregação de Pedro entenderam “as grandezas de Deus”, os desinteressados e críticos só conseguiram ver manifestação semelhante à de pessoas embriagadas (Atos 2:13).
“Apesar do caráter estranho desta manifestação espetacular de Deus, ela ocorreu de fato, portanto. Os cristãos não têm muito que discutir a este respeito, embora aqueles que neguem que o Espírito Santo aja sobrenaturalmente procurem explicações psicologizantes para o fenômeno. Felizmente, Deus é muito mais que o que podemos dele conhecer.
A dificuldade reside, na verdade, na compreensão entre essa glossolalia e as outras do Novo Testamento.”
Nota: Não deveria haver dificuldade de entendimento entre a manifestação de línguas no Pentecostes e as outras manifestações seguidas, como por exemplo, Atos 10:46! Reportando a respeito Pedro disse: “... estes, que também receberam o Espírito Santo como nós?” Verso 48. No Pentecostes receberam o Espírito Santo, falaram línguas. No caso de Cesaréia, como nos outros casos, receberam o Espírito santo, e a evidência foi o falar em línguas também.
“Em Atos 10:46, alguns cristãos, por intermédio do apóstolo Pedro, ao ficarem cheios do Espírito, começaram a falar em línguas e a engrandecer a Deus. Em Atos 19:6, agora por intermédio do apóstolo Paulo, alguns cristãos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar noutras línguas. O mesmo apóstolo recomenda, em 1 Coríntios 12 e 14, que os cristãos devem buscar os dons (carismas) do Espírito Santo, inclusive o falar em línguas.
No exato momento de sua conversão após a pregação de Pedro, o romano Cornélio e alguns parentes e amigos íntimos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em línguas para espanto dos ouvintes (Atos 10:46). Na outra referência, 20 anos depois, já no ano 56, Paulo, em Éfeso, pregou o evangelho, batizou os que creram e estes (12 ao todo, de uma mesma cultura e do mesmo idioma grego), depois de terem recebido a imposição de mãos por parte do apóstolo, falaram línguas. Os que falavam exaltavam o poder de Deus, que capacita, nunca o poder do ser capacitado. Em todas estas circunstâncias, sabemos, com certeza, que eram línguas para a edificação dos ouvintes (que ouviram Pedro e Paulo), não os falantes (pregadores).”
Creio que no Pentecostes os ouvintes que foram atraídos pelo fenômeno das línguas tinham certa familiaridade lingüística com os judeus – cristãos que estavam no cenáculo.
Eram judeus da dispersão vindos das nações ali citadas para a festa de Pentecostes. O que chamou a atenção dos interessados, que depois se converteram na pregação de Pedro – quase três mil pessoas – não foi o fato de as línguas, naquele caso, serem compreensíveis aos ouvidos deles, e que por isso se deve crer que no geral foram línguas idiomáticas, mas que ouviram das grandezas de Deus. “Temos ouvido... falar das grandezas de Deus.”
Outra coisa: Pedro, em seu sermão, agora não estava mais falando línguas como fizera no momento da descida do Espírito Santo dentro do Cenáculo. Falava, obviamente, em seu próprio idioma (provavelmente o aramaico) e todos os presentes o entenderam. O tratamento que Pedro deu aos ouvintes na ocasião (ele que não comungava em nenhuma hipótese com estrangeiros – gentios) era de fato de quem falava a irmãos da mesma nacionalidade (judeus) e não a gentios. “... varões judeus... varões israelitas... varões irmãos... casa de Israel... Atos 2:14, 22, 29, 36. Notemos a reciprocidade dos ouvintes: “... que faremos varões irmãos?”37. Pedro jamais receberia ou daria esse tratamento íntimo a pessoas que não fossem seus irmãos judeus. Falando sobre o evento Pedro disse mais: “A promessa vos diz respeito a vós...” 39. A priori, a promessa de fato dizia respeito aos judeus, aos filhos desses, ‘aos que estão longe’; lembrava Pedro dos seus irmãos (judeus) que estavam longe (aqueles seus irmãos judeus da dispersão que não compareceram para a festa naquele ano) e (agora sim) a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.” Depois dos judeus ali naqueles dias, a promessa se estenderia de fato a todas as pessoas que viessem a crer no Salvador e a recebê-lo em seus corações, a partir de Cornélio, dez anos depois do Pentecostes. Atos 10:28-48.
Creio que em todas as ocasiões em que houve (e ainda há) batismo no Espírito Santo, embora com características diferentes (não com vento, fogo...), vê-se aí uma seqüência de batismo a partir do Pentecostes. Costumamos dizer que no Pentecostes aconteceu o batismo inaugural do Espírito. E em todas as ocasiões notou-se (e ainda se nota) a evidência do falar em línguas.
Os contrários à doutrina do batismo no Espírito santo não aceitam a idéia de que foi no Pentecostes que acontecera pela primeira vez o batismo no Espírito. Dizem que João Batista já era cheio do Espírito santo (só não falou línguas, dizem). Este argumento não procede. Primeiro, João era cheio do Espírito desde o ventre. Ali não teria mesmo como falar línguas. Segundo, ele morreu antes da descida do Espírito santo em forma de batismo que, segundo Jesus, só ocorreria após ele ter sido glorificado (Jo 7:39). Dizem também que Jesus foi batizado no Espírito Santo e nunca falou línguas. Errado! Pois Jesus não fora batizado em forma de batismo no Espírito sendo ele o batizador. Ele fora, sim, ungido (Atos 10:38) o que é diferente. Ainda dizem os contradizentes da doutrina: “Estevão foi cheio do Espírito santo e não falou línguas.” Citam Atos 7:55. Ele falou línguas sim, pois era um dos que estavam no Cenáculo. E a Bíblia diz que todos falaram noutras línguas, conforme o Espírito santo concedia que falassem. Atos 2:4. Confere 6:1-8. E se Estevão estava cheio do espírito Santo, e chegou a ver o céu aberto e Jesus à direita do Pai, quem pode afirmar que ele, naquele momento de êxtase não tenha também falado em línguas? Só porque não está escrito? Se ele era batizado no Espírito e falava línguas...!
De acordo com: “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas...” e “... estes, que também receberam como nós o Espírito santo?” (1 Co 12:11; Atos 10:47), com relação às línguas, inclusive Atos 2, podemos afirmar com Paulo o que segue:
“Porque o que fala línguas (...) não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistério.” 1 Co 14:2.
“O que fala língua (...) edifica-se a si mesmo...” 4.
“assim também vós, como desejais dons espirituais (e língua é um dos dons) procurai abundar neles, para edificação da igreja.” 12.
(Língua com interpretação edifica a igreja. Neste caso não é para deixar de falar línguas, mas falar com interpretação, que é outro dom, 1 Co 12:10).
“Pelo que, o que fala língua (...) ore para que possa interpretar.” 13.
(Esta língua está vinculada a de pentecostes. O Espírito é o mesmo. Sendo idiomática se dispensaria oração para interpretar. Pois a interpretação se daria pelos recursos acadêmicos e não, necessariamente, pela oração.
“Porque se eu orar em língua (...) o meu espírito ora bem... (que bom! Aleluia!), mas o meu entendimento fica sem fruto.” 14.
(O entendimento fica sem fruto exatamente porque o que se fala na hora em que se está sendo usado pelo dom de línguas, não é entendido pelo homem em hipótese alguma, a não ser que haja intérprete também pelo dom do Espírito).
“Que farei pois? Orarei com o Espírito (línguas), mas também orarei com o entendimento (no próprio idioma, ou o dom de língua com interpretação); cantarei com o Espírito, mas também cantarei com o entendimento.” 15.
(Que feliz decisão de Paulo! Sigamos seu exemplo, não?!)
Uma análise sintética dos versículos 16-17: Se o irmão bendisser com o Espírito (falando línguas – o contexto nos leva a entender exatamente assim), como dirá amém aquele que ouve? Sabe por quê? Porque não tem como entender o que o irmão está falando quando está sendo usado no dom de línguas. Contudo, o irmão bendizendo com o espírito (falando línguas) dará bem as graças. Que bom! Glória a Deus! Sabe por quê? Porque Deus o entende. Aleluia!
Mas e aquele que está ali do lado, o indouto (creio eu que aí se trata daquele que está ainda alheio às coisas da fé) como fica? Aí que entra a instrução: Que haja interprete. Então ao falarmos língua oremos também para que haja interpretação.
“Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos.” 18.
(Que bom ouvir isto (ou ler isto) de Paulo!
Uma análise sintética do versículo 19: Apesar de falar em línguas mais do que todos os irmãos, Paulo preferia falar cinco palavras na sua própria inteligência do que dez mil em línguas. Sabe por quê? De acordo com o contexto sendo o dom de língua incompreensível ao homem, porque o que fala fala somente a Deus e em mistério, nem mesmo o que fala entende. E também Paulo não era egoísta querendo antes a edificação de todos.
Agora, se se tratasse de idioma isto não seria problema para Paulo, pois ele era poliglota. Creio que na sua época não havia idioma que Paulo não conhecesse. Então quando ele disse que preferia falar cinco palavras no seu entendimento do que dez mil em línguas, não se tratava aí, em hipótese alguma, de idioma. Seria ilógico afirmar ser idioma. Ademais, “dez mil palavras em língua desconhecida” já diz tudo. Se era língua desconhecida (a língua pelo dom do Espírito conforme o contexto), não era mesmo idiomática. Pois os idiomas existentes Paulo conhecia.
Creio que está tudo bem claro concernente a língua dada pelo Espírito Santo. Não idiomática que se aprende nas faculdades, mas espiritual.
“Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação... e, se alguém falar língua (...) faça isso... e haja interprete. Mas, se não houver interprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.” 26-28.
(Lá no versículo 15 vimos Paulo dizendo como ele se portaria com respeito ao dom de língua. Ou seja, disse ele que oraria com o Espírito, mas também com o entendimento...
Agora o vemos instruindo os irmãos a como se portar. Antes diz Paulo: “Cada um de vós tem... língua, tem interpretação.” Como lá em 1 Co 12:10 vemos a distribuição dos dons quando diz: “...a outro pelo mesmo Espírito os dons de curar... e a outro a variedade de línguas, e a outro a interpretação das línguas, percebe-se que, segundo o que Paulo disse, um tinha língua (isto significa dizer que havia o exercício do dom de línguas) mas podia a mesma pessoa não ter interpretação, ou qualquer outro dom. Outro tinha interpretação, porém, podia não ter o dom de discernir espíritos, por exemplo. E assim sucessivamente.
Bom, Paulo disse de fato que os irmãos tinham dom, inclusive o dom de língua. Isto é interessante.
Com respeito o falar línguas mais uma vez diz que devia haver interprete. Na questão de ordem, se não houvesse interprete não se devia ficar falando línguas, “esteja calado na igreja”, ou “e fale (línguas) consigo mesmo (lembrando que o que fala língua edifica a si mesmo, e isto é bom para o que fala), e com Deus.”
Em nada se deve entender que não seja mais para falar línguas. Devo dizer que assim como fora dada instrução no que diz respeito ao dom de línguas, também fora dada com respeito ao dom de profecia. 29-33.
Paulo conclui seu assunto sobre línguas, dizendo: “... e não proibais falar línguas.” 39.
“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.” 40.
(Inclui-se aí língua, profecia, ok!)
Vimos, então, que pela operação do mesmo Espírito, o dom de língua de Atos 2 tem vínculo com todos demais textos que falam a respeito. Em todos eles vemos língua como um dom do Espírito, e é sobrenatural, e não um idioma que se aprende e se fala de acordo com as faculdades seculares.
Gostei
ResponderExcluirlegal!
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